Quando falamos em weblogs (blogs) organizacionais (ou corporativos) não estamos de facto a falar de organizações (entidades abstractas), mas sim de pessoas (vozes), identidades que se constroem e que podem dar corpo a parte do que se passa dentro das organizações, uma vez que são os indivíduos, as suas vozes, que traduzem e propagam a imagem das entidades de que fazem parte.
Escamotear esta propriedade dos blogs, parece-me poder dar origem a uma simplificada noção da sua utilização no contexto das organizações. O que os torna atractivos, e por isso uma interessante fonte adicional de informação, é a definição de uma linha editorial do próprio, tanto mais cativante quanto menos restrita pelos
lobbies da organização.
Talvez por isso, ao ler a entrada que o
Ricardo me enviou, com a definição de
Patricia Müller para blog corporativo, não esteja de acordo com o que ela refere:
"Quando se fala em blogs corporativos, pensamos logo na definição padrão: é um canal que a empresa abre aos seus consumidores para ter uma conversa bilateral e mais informal com eles."
Ao longo do tempo que tenho vindo a reflectir sobre a utilização dos blogs no contexto organizacional, também não estou certa de existir uma linha tão demarcada entre blogs internos e externos, da mesma forma que não me parece que os indivíduos deixem de ser pessoas (sujeitos individuais que fazem parte de diversos palcos no quotidiano) só pelo facto de, também, serem funcionários de uma qualquer organização [veja-se a propósito o sobejamente conhecido trabalho de
Erving Goffman (original de 1959, traduzido para Português pela Petrópolis em 1975),
The Presentation of Self in Everyday Life].
No entanto, trazer esta reflexão para o espaço da língua portuguesa, constitui mais uma oportunidade de se cruzarem diferentes olhares sobre esta temática, de se identificarem mais vozes e de se alargar este campo de reflexão, motivo pela qual, deixo aqui este registo :-)