2008/03/12

Mobilidade e Estabilidade

O que à partida pode parecer um paradoxo (mobilidade / estabilidade) tem-me merecido algum (muito) tempo. A mobilidade que nos é requerida, quanto mais não seja pelo facto de comutarmos todos os dias de/e para o local de trabalho, assenta nalguns pressupostos de estabilidade, nomeadamente no local de partida para a comutação: home.

O nosso local de trabalho pode ser mais ou menos estável, a nossa organização pode ser mais ou menos aversa à mudança, podemos estar perante fusões, aquisições ou OPAs, mas no final de mais um dia de trabalho, voltamos para um local construído e moldado ao longo do tempo em função das nossas necessidades.

Dado que as fronteiras entre trabalho e vida privada são cada vez mais fluídas, algum grau de estabilidade acaba por se tornar importante para que a nossa mobilidade não seja comprometida.

Se pensarmos em termos de PIM (Personal Information Management) ou, como outros preferem, o simples facto de GTD (Getting Things Done), e apesar de podermos recriar o nosso próprio escritório móvel, não é possível mover toda a nossa informação, todo o tempo, em qualquer lugar connosco, pelo simples facto de co-existirem artefactos de informação físicos e digitais, ou seja, ambientes de informação híbridos.

Para além dos arquivos de informação relacionada com o trabalho que desenvolvemos, pouca antenção é dada à informação criada/acumulada/arquivada nas nossas casas (Kalms, 2008). Como exemplo, os arquivos individuais que somos obrigados legalmente a manter por questões fiscais, ou aqueles que nos podem causar danos (maiores ou menores) na sua ausência, tais como contas esquecidas por pagar que podem levar ao cancelamento de um serviço.

As nossas casas acabam por se tornar em importantes arquivos que não raras vezes albergam também os backups de material de trabalho, sobretudo para quem lida com grandes volumes de informação para obter o resultado do seu trabalho.

A equação poderia ser mais simples, não fossem as práticas e os comportamentos de informação de cada individuo tão dispares, bem como os próprios artefactos de que cada um se vai munindo e que tornam um estudo desta natureza mais complexo.

A própria fluidez que caracteriza a informação no contexto actual, acaba por encontrar barreiras nos espaços de transição que caracterizam a mobilidade dos sujeitos. A interoperabilidade e a portabilidade, estão ainda muito dependentes dos suportes a que se encontra ligada a informação.

Algo aparentemente simples, como pedir por telefone que nos enviem a planta de uma casa que gostamos, acaba por redundar numa sucessão de passos time consuming. Segue relato telefónico de situação real:
- Gostei daquela última casa que me mostrou. Pode enviar-me a planta?
- Concerteza. Dá-me o seu número de Fax?
- No local em que estou não tenho fax. Pode enviar-me por email?
- Peço desculpa, mas a planta está em papel e não tenho um scanner para lhe poder enviar.
- Hmm... Já lhe volto a ligar. Vou pedir a um amigo que tenha fax para me dar o número.
Após ter ligado a um amigo e ter pedido o número de fax dele, volto a ligar para a agência, dou o número e fico à espera que o dito fax seja recepcionado pelo meu amigo, que por sua vez o digitalizou e me enviou para a minha caixa de correio. Simples, não?

Estando atentos, verificamos que o nosso quotidiano está recheado destas situações. O exemplo que dei pode ser considerado como pessoal (sou eu que estou à procura de casa) mas é também uma situação profissional (a agência que me vai vender a casa) e que serve também para ilustrar que não se trata de uma situação de interesse pessoal (consumidor) mas também empresarial (mercado).

Não pretendo com isto julgar a empresa em causa, mas apenas lançar o repto para mais situações quotidianas, em que a tal fluidez da informação, ou se preferirem a tal informação «anywhere, anytime, any how» tão apregoada, oferece ainda muito espaço de investigação.

Outras situações? Comentários?

Caso não sejam anónimas(os), terei todo o gosto em incluir os nomes dos autores dessas situações no trabalho que irei apresentar dentro de um mês.


2008/03/05

First Monday dedicada à Web2.0

Zimmer, M. (2008). Critical Perspectives on Web 2.0. First Monday, vol. 13(3), editorial:

"Web 2.0 represents a blurring of the boundaries between Web users and producers, consumption and participation, authority and amateurism, play and work, data and the network, reality and virtuality. The rhetoric surrounding Web 2.0 infrastructures presents certain cultural claims about media, identity, and technology. It suggests that everyone can and should use new Internet technologies to organize and share information, to interact within communities, and to express oneself. It promises to empower creativity, to democratize media production, and to celebrate the individual while also relishing the power of collaboration and social networks.

But Web 2.0 also embodies a set of unintended consequences, including the increased flow of personal information across networks, the diffusion of one’s identity across fractured spaces, the emergence of powerful tools for peer surveillance, the exploitation of free labor for commercial gain, and the fear of increased corporatization of online social and collaborative spaces and outputs."

2008/03/04

50 razões para não mudar

Mais do que cultura organizacional, as crenças (leia-se, resistências) com que nos deparamos ao nível individual, dentro (e fora) das organizações, são notórias nesta colecção de expressões comuns que se ouvem com demasiada frequência nas organizações. Quando o quadro estiver disponível em cartaz, serei a primeira a afixá-lo na porta do meu próximo gabinete. [via Jack Vinson]