2008/01/02

ter conhecimento vs passar pelas situações

Relendo uma sintese de Outubro de Anne Zelenka ("From The Information Age To The Connected Age"), onde apresenta uma tabela com as principais diferenças entre knowledge work versus web work, ajuda-me a perceber o impacto pessoal das transições que ocorreram desde Agosto de 2007 até agora nos pressupostos em que assentava a minha forma de trabalho:
  • nos vários espaços do meu quotidiano, o acesso à internet era um dado adquirido: no local de trabalho, em casa ou em deslocações o acesso estava sempre presente. Pela imersão continuada nesses espaços, a internet tornou-se invisível e parte de uma infraestrutura em que passaram a desenvolver-se as minhas práticas e os meus comportamentos de trabalho
Devido a diversas variáveis, que escapam à minha capacidade de as resolver, encontro-me privada do acesso a uma infraestrutura determinante para o desenvolvimento do meu trabalho e por causa de as estar a viver, desde os últimos 5 meses, apercebo-me agora das consequências reais que se podem colocar a quem não tem/não pode/ou se encontra impedido de aceder à net.

Uma das variáveis que nunca tinha identificado é a importância da existência de um espaço estável (por oposição a espaços ad hoc) onde a nossa informação de trabalho possa estar disponível:
  • anteriormente, e dado que dispunha de um espaço de trabalho organizacional estável a par do meu espaço de trabalho em casa, bem como a possibilidade de complementar os acessos em situações de mobilidade com o meu N80, podia trabalhar em qualquer instante das 24 horas de qualquer dia da semana. Tal prática torna-se agora um verdadeiro desafio, nomeadamente no que toca a manter os contactos com comunidades profissionais e redes de contactos. A tal ponto que mesmo a simples verificação de mensagem de email se tornaram esporádicas.
No desenho dos trabalhos que permitem compreender a info-exclusão, nunca vi contemplados os casos em que as pessoas tinham práticas de acesso e de trabalho intensivo como web workers mas que devido a circunstâncias e variáveis externas acabam por se ver excluídas dessa capacidade de trabalho (i.e. mudanças organizacionais, rupturas conjugais, perda de poder económico, ausência de espaço de trabalho estável, furto de artefactos de informação, insegurança, entre outros).

Apenas este apontamento, enquanto vou procurando estratégias que me permitam ultrapassar e/ou contornar as limitações com que me encontro ainda. Novas formas de trabalho que passam por reformular a minha gestão pessoal de informação (Personal Information Management, PIM) de forma a poder fazer o trabalho que tenho em mãos (Getting Things Done, GTD).