2007/04/27

Internet?

Em Portugal, 16% dos entrevistados não sabiam o que era internet. Resultados apresentados pelo Eurobarómetro, no E-Communications Household Survey (2007).

PS [27/Abril/2007] Lembrei-me agora que poderá nunca ser demais lembrar o trabalho da APDSI (com várias colaborações), Glossário da Sociedade da Informação (versão de 2007), página 57:
"Rede alargada que é uma confederação de redes de computadores das universidades e de centros de pesquisa, do Governo, Militares e comerciais, com base no protocolo TCP/IP. Proporciona acesso a sítios Web, correio electrónico, sistemas de boletins electrónicos, bases de dados, grupos de discussão, etc."
Para outras respostas rápidas, ver resultados define:internet (restrição para língua portuguesa)

Resposta menos curta, ver Internet na Wikipedia que para além da noção existente no Glossário da Sociedade da Informação, tem informação adicional que permite contextualizar a internet (história, utilizações, palavras e expressões associadas, etc.).

Pretexto para uma passeata pelos belos Jardins da Gulbenkian (quem sabe até aproveitar para ver uma exposição, ouvir um concerto ou apenas almoçar), passem pela livraria da Gulbenkian e arranjem um exemplar do livro (preço ainda mais reduzido para quem apresentar cartão de estudante) de
Castells, Manuel (2004). A Galáxia Internet: reflexões sobre Internet, Negócios e Sociedade. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
PS2 - E já agora, para ajudar ao projecto que pretende responder à pergunta de quantos somos aqui pela internet, podem dar uma saltada ao mapmyname ;-)


2007/04/26

web2.0 para organizações vacilantes

Para as organizações relutantes, Dave Pollard propõe uma abordagem experimental para a colaboração através de ferramentas web2.0, em que o sucesso na sua utilização depende da noção do que é percebido como urgente, da cultura organizacional existente e da complexidade de cada organização.

Assim, a escolha das ferramentas existentes (façam elas ou não parte do grande leque de software social existente) de acordo com cada situação (e não a escolha em primeiro lugar das ferramentas) poderá mais facilmente trazer os resultados esperados.

Apesar de ter gostado muito da abordagem holística desta proposta, parece-me que a maior parte das pessoas que conheço anda à procura de soluções do tipo «pronto-a-comer» e que imagino se furtem a ler a totalidade da entrada que explica com maior detalhe o que se entende por cada um dos passos ilustrados na figura. Mas claro que posso estar errada ;-)

2007/04/24

Integrating the flow

Para a implementação de tecnologias dentro das organizações, e não apenas de blogs, registava em Maio de 2004, depois da leitura de um artigo de Malhotra (2004), que:
"Para pensar «o espaço» dos Blogs a nível organizacional, convém contextualizá-los num «chapéu maior», mais abrangente: a (já velha) discussão Gestão da Informação / Gestão do conhecimento e as implicações para a integração de tecnologias nas organizações"
Em Setembro de 2005, a minha visão sobre a integração de weblogs no contexto organizacional, pareceu-me ter forma:
"E se em vez de centrar a nossa atenção na implementação de weblogs dentro da organização, a nossa atenção fosse centrada em trazer pedaços dos weblogs para dentro da organização?"
Numa imagem concretizava as vantagens de trazer para dentro das fronteiras organizacionais, os pedaços das «conversas» que se estabeleciam fora do contexto organizacional, de acordo com as necessidades de informação organizacionais detectadas, permitindo uma maior dinâmica entre o ambiente informacional externo e interno das organizações, não impondo novos espaços de informação (ex: plataformas de blogs organizacionais), mas tirando partido e detectando os fluxos que já existiam, e assim os trazer para o contexto de cada organização:

[imagem original disponível no flikr, juntamente com os links dos textos que estiveram na sua origem]

Hoje, enquanto lia Confessions of an Aca/Fan: The Official Weblog of Henry Jenkins: From YouTube to YouNiversity, relembrei o que me motivou a criar este blog: a possibilidade de um dia poder também eu dizer o mesmo que Henry Jenkins:
"Now all of our research teams are blogging not only about their own work but also about key developments in their fields. We have redesigned the program's home page, allowing feeds from these blogs to regularly update our content and capture more of the continuing conversations in and around our program. We have also started offering regular podcasts of our departmental colloquia and are experimenting with various forms of remote access to our conferences and other events."
Às vezes penso que este blog já não faz sentido e que apenas serve para me relembrar que tenho andado a falar para mim própria, durante todos estes anos. Há dias assim...

2007/04/23

Aqui ao lado... a Web2.0

A Fundación Orange vai lançar mais um livro. Desta vez a temática é dedicada à Web2.0 e o livro, à semelhança de outros que tem lançado, encontra-se disponível na sua versão digital :-)
"(...) analiza la evolución que supone para Internet la llamada web participativa, a partir de la aparición de nuevas tecnologías que han propiciado un cambio radical en las rutinas y en la actitud de los usuarios a la hora de sumergir se en Internet."

2007/04/22

fring - aplicação IM e VoIP para telemóveis


Cada vez gosto mais do meu N80. Ontem instalei e testei o Fring - Mobile VoIP application for cellular handsets, que me permite tirar partido das potencialidades do meu telefone. Nomedamente, no que diz respeito a contornar os custos com operadores móveis.

Ou seja, como o N80 me ofereçe a possibilidade de me ligar à rede sem passar pelo meu operador (ou seja sem gastos bárbaros de dados móveis), bastando ter acesso a um hotspot (wi-fi), para além de poder aceder e falar com todos os contactos reunidos num único interface de IM (Talk, MSN e Skype) posso também fazer telefonemas sem custos adicionais para os meus contactos.

Isto sim! Isto é tecnologia para a sociedade da informação, ou por outra, para todos aqueles que na sociedade sabem e querem utilizar novas tecnologias mas cujos custos de acesso (e de instalação) não representam uma barreira à sua efectiva utilização.

2007/04/19

Privacidade e Redes Sociais

Porque não basta dizer que os adolescentes de hoje são diferentes. É preciso compreender os novos contextos em que eles interagem, as redes que estabelecem e de que forma se expõem nesses espaços. Tendo em mente que os dados do relatório foram recolhidos nos EUA, vale a pena lê-lo com atenção. Entre outras questões pertinentes, ajuda a desmistificar alguns receios e fornece pistas para lidar com muitas situações, que passam muito pela educação quer dos adolescentes, quer dos seus progenitores, quer dos seus professores. Cá fica a referência e o sumário das principais conclusões.

Compreendê-los melhor, também significa que estaremos melhor preparados para os receber daqui por uns anos, quando ingressarem no mercado de trabalho e vierem trabalhar para as nossas organizações ;-)

Lenhart, Amanda and Madden, Mary. Teens (April 18, 2007), Privacy & Online Social Networks. Washington, DC: Pew Internet & American Life Project:
Teens, Privacy & Online Social Networks: Summary of Findings at a Glance
  • Many teenagers avidly use social networking sites like MySpace and Facebook, and employ a variety of tools and techniques to manage their online identities.
  • Teens post a variety of things on their profiles, but a first name and photo are standard.
  • Boys and girls have different views and different behaviors when it comes to privacy.
  • Older teens share more personal information than younger teens.
  • To teens, all personal information is not created equal. They say it is very important to understand the context of an information-sharing encounter.
  • Most teen profile creators suspect that a motivated person could eventually identify them. They also think strangers are more likely to contact teens online than offline.
  • Parents are using technical and non-technical measures to protect their children online.
  • More households have rules about internet use than have rules about other media.

2007/04/15

Interoperabilidade conta: Mojiti e Sribd

Videos online e Documentos. Não, não é mais do mesmo!

Mojiti, é diferente do YouTube e de outros pois permite a manipulação dos objectos através de um interface simples em linha, para além de permitir a sua disponibilização e integração em blogs, por exemplo (o que outros faziam). Possibilita também importar directamente videos disponíveis noutras plataformas (vejam a extensa lista). São características que mostram a tendência crescente de preocupação com questões de interoperabilidade centradas nos indivíduos:
"(...) personalize any video. Use Mojiti Spots to narrate your personal videos, add captions or subtitles in any language, or just comment on any scene to share your thoughts and opinions."
O Scribd, aparentemente mais um serviço que possibilita carregar ficheiros num servidor, aceita não só diversos formatos de carregamento (doc, ppt, xls, txt, pdf, ps e lit) como também oferece a possibilidade de escolher o formato pretendido, a quem quer fazer o download do ficheiro (pdf, doc, txt e mp3, sim mp3, embora só funcione para documentos em inglês) bem como embeber esses documentos, por exemplo em blogs, em Flashpaper (o que não trás novidade). Preocupa-me no entanto o facto de poderem ser carregados documentos sem a necessidade de um indivíduo se identificar (temo sempre pelos maus usos do anonimato e da preversidade com que, sob a capa da desresponsabilização, são utilizados).

Entre as diversas aplicações para o Scribd, lembrei-me de que poderá ser um útil contributo para a disponibilização de formulários, programas de eventos, informações sobre programas, etc., de uma forma simples e sem custos associados (e sem encher as caixas de correio com attachments ;-)

[Alterei exemplo a 16/Abril/2007] Exemplo: Slides de apoio de um workshop, realizado o ano passado, cujo objectivo foi a utilização dos blogs para ajudar a integração e gestão de informação no contexto de equipas de projecto:


IPs bloqueados no contexto Organizacional

Muitos devem ter histórias sobre o bloqueio de diversos IPs no contexto organizacional. E muitos também devem ter histórias de como contornam esses bloqueios ;-)

Como podem calcular (uma vez que este blog já é do conhecimento do local em que trabalho) não vou aqui explicar as minhas estratégias para contornar alguns desses bloqueios, mas achei que talvez fosse interessante trazer o assunto para a discussão de como esses bloqueamentos estão a impedir ganhos às organizações e de como se podem tornar em perdas em vez de ganhos:
  • Consulta de informação que não é considerada de trabalho - apesar de saber que muitos de nós não estamos sempre a pensar em trabalho (as barreiras entre trabalho e lazer estão cada vez mais diluídas), já passei por situações em que para 2 dos projectos em que trabalhei (eLIVE e RIAT Destino Digital) tive que pesquisar, durante vários dias, empresas do sector do turismo com presença na internet. Para um administrador de rede que não estivesse ao corrente do meu trabalho, e olhando apenas para os logs da utilizadora.monica seria levado a acreditar que eu teria estado dias a fio a programar as minhas próximas férias. Wrong, estava de facto a trabalhar (e ainda por cima sem tempo para férias). Só que, em organizações complexas e com muitos colaboradores é dificil conseguir conhecer em detalhe as tarefas que estão distribuídas a cada um.
  • Bloqueio de acesso a ferramentas web - tenho ouvido diversos relatos de organizações que barram o acesso a plataformas blog, de imagens, video e IM. Aqui na casa, e após o YouTube se ter tornado mais conhecido, este foi banido. Imagino que a decisão de o banir não tenha sido feita só porque sim mas gostava de dar exemplos sobre como isso pode ter consequências para a própria organização. Uma das primeiras questões prende-se com o facto de na nossa equipa estarmos a trabalhar com questões relacionadas com comportamentos e necessidades de informação num contexto que não pode ser alheio à emergência de novas tecnologias de informação, com uma grande componente delas baseadas na web (software social onde cabe também o YouTube) e por onde são disseminados trabalhos apresentados em eventos (a que nós não podemos ir pois não temos financiamento). Imagino que outras equipas dentro da nossa casa possam também ter interesse no YouTube para efeitos de trabalho por outros motivos. Outra das questões, prende-se com a disseminação de eventos públicos e de actividades cujos resultados devem ter a maior visibilidade possível, tanto mais porque foram feitos com dinheiros públicos. O que leva ao paradoxo de acusarem os Laboratórios de Estado de gastarem dinheiros públicos e de não darem a conhecer os resultados a um público mais vasto (donde, como muitos devem achar, não devemos produzir nada!)... situação que vem promovendo também a crescente utilização de publicações em revistas de acesso aberto (Open Access) em detrimento de revistas de acesso fechado (em que mais dificilmente os artigos terão o impacto que permita a sua citação e, como tal, a possibilidade de entrarem nas listas de artigos mais citados).
Não sou suficientemente naife para acreditar que todos nós utilizamos sempre estes recursos para fins de trabalho, mas só os podemos utilizar se tivermos acesso a eles e compreendermos através da nossa auto-formação que podem ter utilidade para contextos de trabalho. O que me leva a outra reflexão:
  • Se eu nunca tivesse começado a brincar (o que muitas vezes me foi dito ao longo dos anos) e a explorar as diversas ferramentas de que vou tendo conhecimento, algumas delas não estariam hoje a ser utilizadas no contexto em que trabalho. Ou seja: queremos que os nossos colaboradores sejam inovadores e proponham novas práticas de trabalho que fomentem a colaboração e tragam ganhos À organização, mas não queremos que eles explorem novas ferramentas e que conversem com outros que as estão a utilizar (Gregory Bateson chamou a isto double bind)
Mas aposto que têm exemplos mais interessantes do que estes. Querem partilhar relatos de situações em que o bloqueio de IPs traga ou possa trazer perdas às organizações?