2007/06/02

Web 2.0 Framework

Ross Dawson, disponibilizou uma Web 2.0 Framework. A ideia consiste em salientar as questões principais que estão em causa quando se fala de web 2.0. Destina-se essencialmente a não especialistas sobre a temática mas também pode ajudar a perceber implicações e oportunidades da web 2.0 para as organizações.


Tal como se pode ler através da imagem [e melhor ainda no pdf que disponibiliza], Ross Dawson explicita e relembra as 7 características que podem ser consideradas os fundamentos da cultura web 2.0:
  • participação
  • padronização
  • descentralização
  • transparência
  • modularidade
  • controlo do utilizador
  • identidade
No centro desta proposta encontramos a explicação sumário de como converter os inputs disponibilizados pelos diversos indivíduos que dão corpo à web 2.0, em resultados que adicionam valor às organizações e à comunidade alargada, a que dá o nome de outputs emergentes.

Reflectindo a cultura web 2.0, está aberto a sugestões, críticas e propostas de alteração que permitam melhorar e/ou reformular a frame que disponibilizou.

Side note: Ross Dawson é o autor do livro Living Networks.

3 comments:

  1. Parece-me que a "framework" começa por estar quase quase desactualizada. Refiro-o não com deprecição evidentemente, mas quase factualmente. Ao prestar alguma atenção, parece-me já um resumo do que se passou nos últimos 2 ou 3 anos e que está bastante consolidado agora. Não traz nada de novo. E esse é o problema para quem quer desenvolver a partir... d'agora! (hh:mm:ss)

    A questão é saber o que esse esquema bonito e bem imaginado antevê. O que esconde, e que relações aparentemente visíveis entre tudo aquilo vão ser as razões da Web>2.0.

    Por exemplo, as tech's apresentadas, são as techs geralmente usadas nas aplicações desta geração. Dá quase vontade de as completar e só fazem sentido se forem lidas como *um* exemplo, um cenário possível, quase vertical: XML > API's > AJAX > RoR
    em que RoR agrega um servidor Web, base de dados, estilos e templating, e até algum refactoring necessário ao próximo passo. Mas não sendo o cenário ideal, nem o mais ajustado a toda a realidade web2.0. Web2.0 foi também o aparecer de novas ferramentas numa relação também ela web2.0, de junção, complementaridade, e de algo não só relacionado com a engenharia e processos, mas também hype. Daí o aparecimento de alguns programadores e designers como "estrelas", mesmo que as suas soluões não sejam as "melhores" nem mais sensatas nem mesmo as mais bem planeadas.

    À velocidade que as coisas estão a evoluir, parece-me já um esquema "do passado" ;) sobre algo consolidado, nada de novo, daí, um "resumé".

    Será que o que o motivou a desenhá-lo foi organizar ideias para tentar descobrir o que aí vem ? É o caminho certo, sem dúvida ;)

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  2. Concordo com a quase totalidade das tuas observações, no entanto, e tal como o autor divulga na entrada que acompanha esta frame, os destinatários são "(...) senior executives or other non-technical people who are trying to grasp the scope of Web 2.0, and the implications and opportunities for their organizations."

    Quando estamos por dentro e vamos acompanhando questões que para nós são importantes, temos uma quase naive atitude de julgar que deveria ser óbvio para todos. Mas não é.

    A frame que ele propõe, mais do que fazer uma síntese dessa consolidação, como muito bem dizes, tenta explicar aos não-entendidos os benefícios da sua aplicação no contexto das organizações. Essas, infelizmente, têm andado a demorar mais tempo a tirar partido do que têm debaixo dos olhos ;-)

    Quanto à questão que deixas ficar no final, acho que sim. Afinal ele é um dos responsáveis pela organização do Future of Media Summit 2007

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  3. Há muitos "não-entendidos" que se vêm em situações complexas para utilizar aplicações/serviços web, e usufruir de sistemas que lhes seriam potencialmente úteis, mas as contingências com que são confrontados, o inviabilizam neste momento.

    A eterna questão da produtividade/acesso à internet nas organizações, a questão do non_disclosure, da confidencialidade, segurança e até de legislação que regulamenta algumas actividades afecta a forma como muitas companhias, micro/pme's/grandes/publicas, usufruem da web.

    Tenho clientes que levantam pontos muito interessantes sobre isso e para os quais a resposta não é em alguns casos simples. O caso mais recente de uma multinacional a operar cá que barrou os acessos ao exterior por abuso contínuo de alguns funcionários. Tentaram de várias formas, até recorrendo a um despedimento, mas a conclusão a que chegaram foi que barrar acessos durante uns meses é a única forma. Neste caso, a firma é de engenharia. O simples acesso a email é complexo, e o mesmo é previamente filtrado. Esta grande empresa dá aos funcionários portáteis sempre recentes, PDA's, telemóveis, etc e formação contínua. Alguns funcionários queixam-se da forma como colegas, mesmo com formação intensiva, abusam.

    Temos agregados colegas no Prt.Sc a trabalhar nos EUA onde os acessos são também limitados, e em empresas de tecnologia.

    Outro constrangimento recorrente prende-se com a segurança. Há muitas aplicações web a ser utilizadas massivamente, a sofrer de vulnerabilidades nas várias camadas, desde a forma como o servidor web está configurado, passando por problemas de SQL injection, cross site scripting, etc.

    Trabalho com uma multinacional em que os PC's que respondem a concursos públicos, até à pouco tempo estavam desligados da rede interna da empresa! O responsável informático recomendava-o. Mesmo com formação, alguns funcionários cometiam erros básicos que colocavam em causa a confidencialidade de processos. Processos alguns envolvendo vários milhões de euros. Alguns gestores ao mínimo alerta do responsável TI, tomam medidas drásticas. Muitos destes responáveis das TI têm experiências muito interessantes.

    Uma rede social técnica que ligue hospitais públicos e privados é muito benéfica para a troca de informação entre profissionais (refiro-me ao caso meramente técnico e não a conteúdo que envolva sigilo médico, do foro médico/paciente), mas uma vez mais um caso recente de um hospital que bloqueou acessos a não ser a bibliotecas técnicas, e nem periférios pode permitir que se liguem às máquinas. A realidade hospitalar é muito complexa por exemplo. Pulvilham milhares de aplicações nestes locais, e os deps. TI são confrontados com a situação de algumas terem milhares de registos, mas serem inseguras, e os profissionais não abdicarem delas, etc. O facto humano é muito complexo.

    Por exemplo no ensino, os professores começam a dar uso intensivo ao Moodle e a CMS's. As vantagens são imensas. A minha mulher neste momento faz a reserva de portáteis e projector para as aulas, via web, em casa, ao prepara aulas, no calendário do Moodle para esse efeito. Troca conteúdos com colegas , etc. Uma grande parte das pessoas pensa que o ensino é ainda pré-histórico, mas é falta de conhecimento do estado das coisas, simples.

    Estou a referir um ou dois exemplos e e uma ou outra contingência, mas as coisas são bem mais complexas. Posso concordar ou não com as decisões de alguns senior executives, ou mesmo pensar que são mal aconselhados e que alguns problemas eram muito atenuados alterando por exemplo WinXP para Linux no desktop (para ser facilmente entendível, usando a estatística do número de virus detectados entre plataformas) referindo a parte "cliente" que se pode controlar. É uma conta simples que não tinha qualquer peso na escolha de plataformas. As coisas estão a mudar. Para uma grande parte das aplicações que os utilizadores empresariais usam, o Linux com Gnome no desktop é tão bom ou melhor que o Windows. Segurança do lado cliente é uma contigência que se pode controlar se se usar a lógica.

    A parte "servidor" essa, já escapa ao controlo dos TI's internos para um serviço público por exemplo.

    O Marcos Marado referiu algo interessante relativamente ao uso do "GoPlan", que se fosse possível utilizá-lo internamente (instalação interna em servidor), teria alguém que dar-lhe-ia uso. Sendo a informação centralizada nos servidores da WBS a única opção, essa mesma pessoa não o pode fazer.
    Ou seja, aqui há um constrangimento para uso de um serviço web2.0 que se prende com confidencialidade. Tiveram de optar por outra solução.

    Muito disto pode não fazer sentido ? Evidentemente, não há fórmulas secretas ;) Há evolução, "selecção natural", latência, factores humanos, lógica, alguma irracionalidade, hype, modas, lobbies, interesses, stock options, investidores, accionistas a quem prestar contas, modelos económicos, e até legislação (censura na China, "Patriot Act" nos EUA, Chavez na Venezuela) etc. Colocar isto em equação... quem se atreve ? ;)

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