2007/04/15

IPs bloqueados no contexto Organizacional

Muitos devem ter histórias sobre o bloqueio de diversos IPs no contexto organizacional. E muitos também devem ter histórias de como contornam esses bloqueios ;-)

Como podem calcular (uma vez que este blog já é do conhecimento do local em que trabalho) não vou aqui explicar as minhas estratégias para contornar alguns desses bloqueios, mas achei que talvez fosse interessante trazer o assunto para a discussão de como esses bloqueamentos estão a impedir ganhos às organizações e de como se podem tornar em perdas em vez de ganhos:
  • Consulta de informação que não é considerada de trabalho - apesar de saber que muitos de nós não estamos sempre a pensar em trabalho (as barreiras entre trabalho e lazer estão cada vez mais diluídas), já passei por situações em que para 2 dos projectos em que trabalhei (eLIVE e RIAT Destino Digital) tive que pesquisar, durante vários dias, empresas do sector do turismo com presença na internet. Para um administrador de rede que não estivesse ao corrente do meu trabalho, e olhando apenas para os logs da utilizadora.monica seria levado a acreditar que eu teria estado dias a fio a programar as minhas próximas férias. Wrong, estava de facto a trabalhar (e ainda por cima sem tempo para férias). Só que, em organizações complexas e com muitos colaboradores é dificil conseguir conhecer em detalhe as tarefas que estão distribuídas a cada um.
  • Bloqueio de acesso a ferramentas web - tenho ouvido diversos relatos de organizações que barram o acesso a plataformas blog, de imagens, video e IM. Aqui na casa, e após o YouTube se ter tornado mais conhecido, este foi banido. Imagino que a decisão de o banir não tenha sido feita só porque sim mas gostava de dar exemplos sobre como isso pode ter consequências para a própria organização. Uma das primeiras questões prende-se com o facto de na nossa equipa estarmos a trabalhar com questões relacionadas com comportamentos e necessidades de informação num contexto que não pode ser alheio à emergência de novas tecnologias de informação, com uma grande componente delas baseadas na web (software social onde cabe também o YouTube) e por onde são disseminados trabalhos apresentados em eventos (a que nós não podemos ir pois não temos financiamento). Imagino que outras equipas dentro da nossa casa possam também ter interesse no YouTube para efeitos de trabalho por outros motivos. Outra das questões, prende-se com a disseminação de eventos públicos e de actividades cujos resultados devem ter a maior visibilidade possível, tanto mais porque foram feitos com dinheiros públicos. O que leva ao paradoxo de acusarem os Laboratórios de Estado de gastarem dinheiros públicos e de não darem a conhecer os resultados a um público mais vasto (donde, como muitos devem achar, não devemos produzir nada!)... situação que vem promovendo também a crescente utilização de publicações em revistas de acesso aberto (Open Access) em detrimento de revistas de acesso fechado (em que mais dificilmente os artigos terão o impacto que permita a sua citação e, como tal, a possibilidade de entrarem nas listas de artigos mais citados).
Não sou suficientemente naife para acreditar que todos nós utilizamos sempre estes recursos para fins de trabalho, mas só os podemos utilizar se tivermos acesso a eles e compreendermos através da nossa auto-formação que podem ter utilidade para contextos de trabalho. O que me leva a outra reflexão:
  • Se eu nunca tivesse começado a brincar (o que muitas vezes me foi dito ao longo dos anos) e a explorar as diversas ferramentas de que vou tendo conhecimento, algumas delas não estariam hoje a ser utilizadas no contexto em que trabalho. Ou seja: queremos que os nossos colaboradores sejam inovadores e proponham novas práticas de trabalho que fomentem a colaboração e tragam ganhos À organização, mas não queremos que eles explorem novas ferramentas e que conversem com outros que as estão a utilizar (Gregory Bateson chamou a isto double bind)
Mas aposto que têm exemplos mais interessantes do que estes. Querem partilhar relatos de situações em que o bloqueio de IPs traga ou possa trazer perdas às organizações?


1 comment:

  1. a questão fundamental está precisamente perdida por ali no final do texto: é que é preciso viver as coisas para se saber usar, para se ganhar competências na utilização de ferramentas on-line.

    Tal como há muitas empresas que criam espaços de "team building" para que as pessoas se conheçam mutuamente e aprendam em contextos de informalidade.

    Percebendo isso acho que os "bloqueios" em contexto profissional podem ser usados p.ex. com modulações horárias. Estou certo que muita gente passaria a chegar mais cedo ao trabalho. :D

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