2007/01/21

entrada de (novos) elementos em equipas de projecto

Em 2003 escrevia que uma das utilizações para os blogs no contexto organizacional era facilitar a entrada de elementos em equipas de projecto, o que aliás tinha estado na origem da criação do B2OB.

O que mudou em mais de 3 anos, noutros contextos organizacionais, desconheço! No contexto em que estou, seria tentada a dizer que muito pouco mudou. Mas talvez não seja verdade, porque a mudança, apesar de ter mais impacto quando implementada de cima para baixo (via hierárquica), começa em cada um de nós. Não se trata de criar um blog e dizer que se tem um blog.

Desde que comecei a explorar a utilização dos blogs no contexto organizacional, achei que esta era uma ferramenta com o potencial para ajudar a tal «memória organizacional» onde sistemas bem mais complexos acabam por falhar, devido à sua complexidade e por não comtemplarem que a memória não é feita avulso, mas construída a cada dia, por cada uma das pessoas que faz parte da vida da organização.

Quando apresentamos como argumento, para a utilização de blogs, a criação da «memória dos projectos», acham que é bizarro, uma perda de tempo, demasiado complicado, etc. Quando confrontados com a entrada de um novo elemento para uma equipa de projecto, que já se encontra a funcionar há algum tempo, aí percebe-se o valor que um blog de projecto pode ter, ao dar conta da evolução, dos recursos usados, dos parceiros, das plataformas utilizadas (e das muitas passwords), das opções tomadas em determinado momento. Por isso, à medida que fui explorando os blogs, fui partilhando neste espaço e noutros (workshops, colegas, acções de formação) as vantagens dessa utilização:
  • apoio à comunicação entre elementos da equipa - muitas das inúmeras mensagens de correio electrónico trocadas entre os membros da equipa, dizem respeito à preparação de eventos, pontos de situação, marcação de reuniões, partilha de recursos (artigos, apontadores, monitorização de informação da área do projecto, outros trabalhos relacionados, etc) que acabam por se perder nos milhares de mensagens que cada um tem nas suas caixas de correio e a que só se tem acesso no local de trabalho (e, às vezes, apenas no mesmo computador)
  • a não duplicação de esforços na pesquisa de informação - a possibilidade de agregar a informação que cada um dos elementos vai recolhendo, com a integração no próprio blog do projecto, por exemplo de bookmarks web (del.icio.us, citeUlike, feeds de páginas especializadas, etc) mas que requer uma cultura de partilha e de ferramentas comuns
  • visibilidade do trabalho de cada elemento - ao partilhar a informação e o relato do que cada um vai construíndo durante o tempo de vida dos projectos, vai-se ajudando a dar valor ao que cada um trás para dentro dos projectos e, dessa forma, valorizando saberes e o que cada um faz, e que tantas vezes acaba por ser invisivel
  • a memória do projecto - a mobilidade e a rotatividade de pessoas é uma constante dos nossos tempos. Sofisticadas soluções (que tantos gostam de chamar de sistemas de gestão do conhecimento) procuram dar resposta, mas esta resposta encontra-se no que cada um está disposto a partilhar. Os registos que ficam no blog, ao longo do tempo, de cada membro da equipa, são a unidade mínima que pode constituir (e até alimentar) uma memória para lá da existência do próprio indivíduo e da sua passagem pela organização.
  • a re-utilização de recursos - sabemos que nunca recomeçamos da estaca zero num projecto. Os saberes acumulados, as redes de contacto de cada um, as aprendizagens do que funcionou ou, não menos importante, do que não funcionou, ao ficarem registadas nos blogs dos projectos, permitem a sua recuperação e re-utilização em projectos cujas fronteiras se tocam ou dos novos projectos que se formam a partir de anteriores.
A memória dos projectos acaba por poder alimentar a própria «memória da organização» dado que a construção da organização só existe na memória de cada um dos seus colaboradores... e a nossa memória é muito selectiva (para além de re-elaborar, constantemente o passado).

Na prática diária trata-se, mais do que utilizar as ferramentas sociais (que existem em abundância), de incorporar novas formas de trabalho, numa nova cultura. Esta é para mim a definição da web 2.0, onde cada um de nós tem ao seu alcance alimentar e contribuir para uma nova forma de estar, onde retirar e dar à rede em que se insere, fazem parte e estão interrelacionadas.


2 comments:

  1. Yguaratã23/1/07 20:15

    O Blog como uma ferramenta de documentação para projetos! ;)
    Ótimo texto. Até mais.

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  2. Mónica excelente post. Parabéns. Contínuo vivo!... e de quando em vez, espreito o teu blog. Colhendo sábios conhecimentos. Bjs

    Ricardo Massano

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