2005/09/04

weblogs organizacionais - ousar dar voz aos colaboradores

"Pagam-nos para duvidar de tudo o que os outros propuseram antes, para propormos a nós próprios alternativas ousadas e para discutirmos interminavelmente entre nós." [Magueijo, 2003, Mais rápido que a luz: biografia de uma especulação científica] [PS 08/Mar/2007: e pelo que vejo, merecem tudo o que recebem]

Ao ler um livro de divulgação científica de João Magueijo, dei-me conta do porquê do meu fascínio quando li pela primeira vez sobre weblogs (muito antes de ter criado o meu primeiro blog). O que me fascinou não foi a ferramente (na altura nem sequer fazia ideia do que seria necessário para poder ter semelhante coisa :-), mas sim o que ela representaria para mim: a possibilidade de estabelecer conversas com pessoas que não habitavam o meu espaço.

Ou seja, na impossibilidade de me poder deslocar para junto de locais, por excelência, intelectualmente estimulantes, fui registando pequenos indícios do que procuro e assim foi possível «transportar-me» até essas pessoas. Da impossibilidade (económica, logistica, etária, etc.) «digitalizo» parte de mim e deixo-me «transportar» até me materializar num quotidiano que não habito mas que me estimula a reflexão... às vezes, com um poder de atracção tão grande, que as barreiras geográficas se comprimem e nos podemos encontrar, conversando como se a distância não existisse.

A cultura organizacional que encontrei, no local em que trabalho , desde 2002 (instituição de I&D), também me pareceu que poderia beneficiar com a utilização de weblogs internos, promovendo o conhecimento entre as pessoas que fazem partes de diversas áreas científicas, e que se encontram desligadas do que se faz na porta ao lado. Neste caso, estavamos perante a possibilidade de mobilizar informação que se encontra «enterrada» no círculo fechado de colegas de equipa, possibilitando que fossem estabelecidas as tais pontes com outras áreas do saber e que podem significar os tais saltos imensos que de tempos a tempos se dão [os avanços na descoberta não são constantes nem lineares]...

As conversas em formato blog, podem ajudar a recriar os tais ambientes estimulantes existentes em instituições povoadas de indivíduos cujo objectivo é ousar ultrapassar o que já está escrito, e, afinal, não trazem nada de novo, apenas aceleram as trocas de correspondência há muito detectadas entre investigadores, ou às «conversas» por meio de comentários a artigos publicados em revistas...
Mais do que uma ferramenta, os blogs são uma extensão de nós, do que nos move e das respostas que procuramos. O que as instituições podem fazer com eles, está para lá do seu controlo, uma vez que continuam a ser os indivíduos que os tornam (ou podem tornar) uma mais valia. Um blog por si só é uma ferramenta vazia, sem voz, sem conteúdo!
Fica mais outra proposta para a implementação de weblogs no contexto organizacional, vindo do Deutsche Bank Research: Blogs: The new magic formula for corporate communications? (.pdf) [via Lilia].

2 comments:

  1. Anonymous5/9/05 18:09

    E que tal tem corrido a experiência com os blogues aí no instituto ?

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  2. Dada a necessidade de conceber e definir linhas editoriais de acordo com a estratégia da instituição, ainda não existe uma estratégia formal para a implementação de blogs... muito ligada à cultura organizacional existente e à instabilidade pela qual a instituição tem vindo a passar (questões de política governamental...)

    Ao nível individual, tenho identificado alguns weblogs mas a organização não sabe da existência deles e, como tal, está a perder o know how dessas pessoas e das conversas que se estão a passar ;-)

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