2005/02/19

Tempo e comportamentos na adopção dos blogs

Muito se estará a passar no que diz respeito à introdução dos blogs a nível organizacional. Mais do que as questões técnicas que se colocam, estamos a falar da adopção dos blogs por pessoas. As tais pessoas/indivíduos que trazem à organização o seu valor acrescentado, a sua forma de estar no mundo, as suas experiências. Em suma, as suas características únicas que complementam o leque de competências necessárias na estrutura organizacional, as tais que justificam o interesse pela temática da Gestão do Conhecimento (KM).

Os instrumentos e as ferramentas que as organizações colocam ao dispôr dos seus colaboradores, têm que revelar a sua adequação ao trabalho desenvolvido por cada um. Recentemente, ao introduzir os
weblogs enquanto ferramenta para a Gestão Individual da Informação (GII) recebi alguns indícios dos problemas que esta ferramenta pode colocar, num contexto individual:
  • O desconhecimento da ferramenta pode, logo à partida, constituir uma barreira à sua utilização
  • O facto de os blogs, em Portugal, estarem ainda pouco divulgados no contexto organizacional, como ferramenta, pode estigmatizar a sua utilização
  • Dado que os benefícios trazidos pelos blogs só se sentem a médio/longo prazo, não existindo uma gratificação imediata (salvo casos de figuras/acontecimentos mediáticos), o esforço/tempo necessário para conhecer o potencial da ferramenta pode desemcorajar a sua utilização
  • A predisposição individual às Tecnologias de Informação e Comunicação [considerar as questões de literacia no séc. XXI] e o contexto das funções exercidas parecem constituir uma boa alavanca de adopção, a que se podem juntar factores de persistência, uma vez reconhecido o potencial da ferramenta
  • A introdução dos blogs, acompanhada da componente prática (acompanhar os indivíduos na fase inicial de criação, para que ao primeiro obstáculo, não desistam), tem-se revelado uma boa prática
  • No entanto, para que essa assistência seja efectiva, o número de pessoas, nas sessões práticas, deverá ser limitado a 10-12, preferencialmente com um intervalo de uns dias entre cada sessão
  • Tirar partido da própria ferramenta para estender o espaço formal de partilha de experiências, parece constituir um elemento de reforço de uma presença mediada, bem como fornecer materiais adicionais.

Apenas este apontamento porque a memória é selectiva e a tecnologia redutora [para reflectir depois de finalizar esta última etápa].

Foi bom saber que, para além da
Filipa e RC, também o Cidadaniactiva, tem um blog. Mas será que somos só 4, dentro da organização, a manter blogs? E o que leva as pessoas a manterem os seus blogs anónimos não será reflexo da instabilidade e da falta de confiança que se vive dentro das organizações?... Talvez só quando essa estabilidade e confiança passar para cada uma das pessoas que compõe a organização, se possa revelar o verdadeiro potencial dos blogs, enquanto ferramenta, dentro das organizações.

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